.posts recentes

. ...

. A Geringonça

. Presépio ao Vivo 2016

. Sr Contente e Sr Feliz

. ...

. NATAL HOJE

. A ÓPERA DOS MALANDROS

. O BRASEADO

. FOI POR VONTADE DO POVO

. Halloween português

.arquivos

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Março 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Maio 2014

. Janeiro 2013

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Setembro 2011

. Maio 2011

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Maio 2007

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Plagiando JOSÉ RÉGIO "FUMO NEGRO"

 

"deixa de fumar" dizem-me alguns com olhos doces

estendendo-me os braços e seguros

de que seria bom que eu os ouvisse

quando dizem: "deixa de fumar"

Eu olho-os com os olhos baços

há nos meus olhos desafios e cansaços

e pego nos (maços)

e nunca deixo de fumar.

 

A minha felicidade é esta:

criar ansiedade, não ouvir ninguém

que eu nasci já com vontade de fumar

do ventre da minha mãe

 

Não, não deixo de fumar, só faço

e vou, onde me levam meus próprios passos.

Se ao prazer que tenho nenhum de vós responde

porque me repetis " não fumes mais"

Prefiro escorregar nos becos lamacentos

poluir os ventos com beatas

sujar os pavimentos

e fumar, até não poder mais.

 

Se vim ao mundo foi

só para poluir florestas virgens

e calcar beatas na areia inexplorada.

O mais que faço

não vale nada.

 

Como pois sereis vós

que me dareis conselhos paliativos e coragem

para eu derrubar os obstáculos?

Corre nas minhas veias sangue velho de avós

e vós, amais o que é certo.

Eu amo o cigarro e a fumaça,

amo os abismos, torrentes de tosse, o incerto.

 

Ide, tendes salas especiais

tendes jardins, tendes canteiros,

tendes espaços reservados em aviões

e tendes regras e tratados

e filósofos e sábios.

Eu tenho a minha loucura

ergo o cigarro como um facho

a arder na noite escura

e sinto o sangue e a secura nos lábios.

 

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém!

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe

mas eu, que nunca de fumar acabo,

nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

 

Ah!, que ninguém me dê piedosos conselhos

ninguém me peça explicações

ninguém me diga: "deixa de fumar"

A minha vida é um fumo que se soltou

é um pulmão que se inflamou

é um átomo de prazer que se animou.

Não sei por onde vou andar

não sei aonde irei parar

sei, que "não vou deixar de fumar


publicado por brizissima às 22:25

link do post | comentar | favorito

8 comentários:
De A. João Soares a 10 de Maio de 2008 às 08:59
Depois de tantas visitas sem encontrar novidades, eis que deparo com esta determinação «suicida» de continuar a fumar, poluindo florestas e cidades, intoxicando os desgraçados fumadores passivos.
Mas fique cada um com os seus conselhos e o seu bom senso e viva a poeta na sua louca obstinação!!!
Mas já dizia o meu avô com a sua douta sabedoria curtida com o frio de muitos Invernos e o sol de 'muitos estios que «vale mais um prazer na vida do que cinco vinténs no bolso».
Beijos
João


De brizissima a 10 de Maio de 2008 às 22:17
É verdade, meu amigo, os poetas são mesmo loucos. Curiosamente eu até nunca fumei e, numa altura em que a proibição do dito cujo está na ordem do dia , eis que resolvo mandar para a fogueira um poema que já escrevi há longo tempo...vá lá perceber-se o ser humano!
Mas foi uma tentativa e, como sei que o meu amigo não fuma e também mais ninguém me lê, isso não tem qualquer importância. Abraço


De nosapato a 18 de Maio de 2008 às 18:03
Excelente adaptação!
Pensa que ninguém a lê?
Nem calcula quantos o fazem sem nunca deixar um único comentário.

Abraço


De Romy a 25 de Junho de 2008 às 15:33
Eu sou um(a) ... que de vez em quando mete o nariz sem nunca dizer nada.

Beijos


De brizissima a 28 de Junho de 2008 às 23:32
Apesar de tudo o ter-me visitado já é alguma coisa.Obrigada.


De Emília a 15 de Fevereiro de 2009 às 23:10
Boa! Eu já não sou fumadora há 28 anos mas compreendo a sua luta pelo direito de continuar a escolher ser fumadora. Nada de fundamentalismos, digo eu, e estas leis do tabaco já são um exagero.


De Emília a 15 de Fevereiro de 2009 às 23:12
Ora esta! Só depois de comentar é que li os comentários dos anteriores visitantes e o seu próprio comentário, afirmando-se, afinal, não fumadora! Vá lá um comum mortal entender os poetas ;D


De brizissima a 16 de Fevereiro de 2009 às 21:44
Cara Emília. Realmente eu não sou fumadora e aquela adaptação do poema do Régio foi feita para o meu filho, grande fumador. Felizmente, e não creio que o meu poema tenha tido alguma influência, ele deixou de fumar.
Obrigada pelos seus comentários. Espero contar com a sua presença em futuros devaneios. Bjs.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Fevereiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28


.tags

. todas as tags

.favorito

. GAZETILHA

. NEVOEIRO

.Fazer olhinhos

blogs SAPO

.subscrever feeds